Aqui fica o link e mais dois dos desenhos do meu caderno "sério".

E já agora aproveito para explicar a dinâmica dos meus 3 cadernos amazónicos.
O meu caderno "sério" foi aquele que comprei de propósito para desenhar na expedição. De dimensões gererosas (megalómanas, na verdade...) para trabalhar à vontade, com papel suficientemente bom para trabalhar algumas aguarelas, e uma capa dura em marmoreado verde.
Acabei por perceber que aquele não era o suporte ideal para o ritmo daquela expedição. Chegávamos a fazer 4 passeios de canoa por dia, com pouco tempo de paragem. Sendo assim as oportunidades de desenhar exigiam uma abordagem muito rápida. E a extração de um caderno de cerca de 27x26 cm de dentro da mochila e de um saco impermeável (protecção contra os aguaceiros tropicais), revelou-se pouco prática.
Foi então que mudei de estratégia. Peguei num caderninho pequeno e portátil com folhas ridiculamente finas, que eu levara apenas para anotações escritas e apontamentos não-amazónicos, e enfiei-o no bolso da perna das calças, pronto a sair a alta velocidade sempre que eu visse um passaroco ou uma árvore simpática. No mesmo bolso meti o water brush carregado com tinta-da-china e uma lapiseira com uma grafite 6B.
E eis que inaugurei o meu "caderno de combate nº1". A maior parte é só rabiscada rápida e pouco digna de nota. Mas ainda que não tenha os melhores trabalhos de "encher o olho", revelou-se bastante bom para registar informação e cimentar memórias sobre o que eu ia vendo.
Fui alternado de caderno consoante a situação:
- o "caderno sério", para os desenhos mais trabalhados e feitos com mais cautela, à mesa, na sala-de-jantar ou no deck do barco Dorinha;
- e o "caderno de combate", para os passeios de canoa e caminhadas na floresta, esborrachado no bolso, humedicido da chuva, mas sempre pronto para qualquer esboço.
Ao fim de alguns dias o "caderno de combate nº1" chegou ao fim e, à falta de substituto equivalente, acabei por improvisar o "caderno de combate nº2" com o material disponível:
- um molho de folhas de papel acetinado, dobradas ao meio, fizeram o miolo;
- duas folhas de papel cinzento (para trabalhos de lápis de cor), unidas com fita-cola, fizeram a capa;
- e fio-dental a atar tudo aquilo, serviu como encadernação. :)
Este ainda teve lugar para alguns rabiscos urbanos no regresso via Brasília.
Moral da história: por muito que se pense no material ideal antecipadamente (e eu pensei q.b.) há sempre necessidade de adaptar qualquer coisa às condições do local.
Neste post mostro duas aguarelas feitas no "caderno sério".











As minhas desculpas aos curiosos impacientes que sabem que passei duas semaninhas em aventura Amazónica... , que já regressei há quase um mês... e que ainda não viram desenhinhos por aqui!










Gostei muito das aulas de retrato que fiz com o professor Artur Ramos na FBAUL no ano passado, por isso este ano estou de volta. Ainda destreinada, mas em breve espero recuperar.














Em Abril de 2006 dei este trabalho por concluído mas por questões de financiamento, apenas recentemento o livro foi publicado. Finalmente, na semana passada, deu-se o seu lançamento no âmbito das comemorações do 131º aniversário do Jardim. 





Esta semana os desenhos foram feitos a pincel, com aguarela de grafite Viarco ArtGraf sobre papel de arroz.