terça-feira, novembro 25, 2008

Desenho de modelo #20

Estes são os meus últimos desenhos com aguada.

Infelizmente o meu scanner não apanha os cinzas mais claros. Estou a pensar comprar um novo, provavelmente A3. Se alguém me quiser recomendar algum modelo, agradeço.


Como já fiz algumas descobertas até chegar aqui, deixo alguns comentários que podem ser úteis a alguém que pretenda fazer algo semelhante.


O desenho.
Antes de retomar a técnica da aguada fiz uma série de sessões de desenho de modelo a lápis (Graphitint), para ganhar mais prática na avaliação das proporções. O desenho a lápis dá a oportunidade de ir fazendo ajustes e correcções através da sobreposição de linhas cada vez mais precisas, marcadas, decididas. Agora que já me sinto mais à vontade e que já não faço tantos erros de desproporção (cabeças grandes, ombros largos, pernas curtas), voltei à aguada, que não dá margem para grandes arrependimentos.

Economia de tempo.
Estou a fazer desenhos a partir de poses que duram 15 a 20 minutos e nesse tempo tento desenhar todo o corpo sem muito pormenor (estou a trabalhar em A3) e com um apontamento de volumetria e iluminação.
Para conseguir fazer isto no escasso tempo disponível é fundamental que o material ajude e que não empate. Trabalhar com água implica menos tempo a olhar para o modelo (análise) e mais tempo a lidar com o material (misturar tintas, escorrer ou limpar o pincel) e a sintetizar o que se observa. Com o lápis o desenho seria muito mais imediato.
Aqui o meu truque é ter as aguadas prontas a usar, preparadas previamente com o grau de diluição adequado a cada utilização.

Material.
- papel A3 (Bloc para Acuarela Studio de Gvarro), que parece ter cerca de 200g e tem textura fina.
- waterbrush grosso cheio com aguada cinza clara (para desenho de contornos);
- waterbrush grosso cheio com aguada cinza escura (para acabamento de pormenores mais escuros);
- waterbrush fino cheio com tinta-da-china pura (para cabelos ou outros detalhes escuros);
- frasco com aguada cinza clara azulada (foi uma mistura acidental com ecoline azul e que se revelou interessante);
- frasco com aguada cinza média (mais escura);
- frasco com água limpa;
- pincel sintético nº 12 para áreas maiores;
- pincel sintético nº 7 para áreas menores;
- papel absorvente (para limpar e retirar o excesso de água do pincel).

Técnica.
Este é um método de base a que posso fazer ajustes.
1. Contorno.
Começo por desenhar o contorno da figura com o waterbrush cheio com aguada cinza clara.
2. Primeira mancha.
A seguir passo às manchas mais claras e que vão servir de tom de base para quase todo o corpo. Para isto começo por contornar as zonas muito iluminadas com pinceladas de água limpa, às quais ligo uma aguada cinza clara azulada. As pinceladas de água limpa fundem-se com as pinceladas da aguada, criando gradientes do cinza para o branco.
3. Modelação de volumes e sombras.
Depois de ter a camada de base seca, aplico a aguada cinza média, mais escura que a anterior. Para conseguir gradientes vou fundindo a aguada com pinceladas de água limpa.
4. Sombras mais escuras.
Nas zonas mais escuras como as axilas, a púbis e partes entre os dedos das mãos e dos pés, uso o water brush com a aguada cinza escura, que me permite escurecer e trabalhar pormenores.
5. O cabelo.
O cabelo da nossa modelo é escuro, por isso tenho-o trabalhado de forma rápida aplicando a aguada cinza mais escura à qual sobreponho imediatamente uma série de pinceladas pretas (waterbrush fino com tinta-da-china). Como a base está muito molhada o preto espalha-se e cria gradientes.

4 comentários:

Pedro disse...

Excelentes. Nunca consigo dominar assim os pincéis e tintas. Fico cheio de inveja.

Sara Simões disse...

Olá, Pedro!
As aguarelas exigem alguma prática e a compreensão do comportamento variável da água sobre uma superfície seca, húmida ou molhada. Se domares a água a técnica fica dominada. :)

Sara Simões disse...

Aproveitei para completar o post com os meus truques e descobertas para que se perceba melhor como chego a estes resultados.

Taxonomys disse...

Fantástico, Sara!

Já me tinha (quase) esquecido de como gostas de transmitir em profundidade os teus conhecimentos. Ainda por cima achei incrível a tua ideia de aguadas pré-preparadas! Já agora parabéns pelos recentes desenvolvimentos do teu trabalho aqui apresentados.

João